Complexo Penitenciário de Pedrinhas
OAB-MA retrocede e evita se posicionar sobre violações em Pedrinhas
Política

Presidência e comissões de Direitos Humanos e de Política Criminal e Penitenciária silenciam sobre relatório e achaque ao ex-presidente da CDH

Com tradição de enfrentar governos e autoridades para defender os direitos humanos, a Seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) retrocedeu e passou a evitar qualquer posicionamento sobre as violações sistemáticas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Quase uma semana após a divulgação do relatório produzido pelas ONGs Conectas, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Justiça Global e pela gestão passada da OAB-MA, a nova Presidência da Seccional, comandada pela jovem advogado Thiago Diaz, bem como as comissões de Direitos Humanos e de Política Criminal e Penitenciária, permanecem em silêncio.

Não houve qualquer manifestação sobre o relatório das ONGs, que confirmou denuncia feita no início do ano pelo ex-presidente da CDH da OAB-MA, advogado Antônio Luis Pedrosa, e pelo presidente do Conselho Diretor da SMDH, professor Wagner Cabral, de que o governo estadual firmou uma acordo com os detentos do complexo prisional, entregando o comando de Pedrinhas para as facções em troca de uma suposta paz nas cadeias.

O presidente da CDH da OAB/MA, Valdenio Caminha, o vice-presidente, Rafael Silva; e a presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária, Karolina Carvalho durante visita ao lado de fora de Pedrinhas
Reprodução/OAB-MA Renovação e Mudança O presidente da CDH da OAB/MA, Valdenio Caminha, o vice-presidente, Rafael Silva; e a presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária, Karolina Carvalho durante visita ao lado de fora de Pedrinhas

Nem mesmo uma nota em defesa de Pedrosa, repudiando o governo e membros de primeiro e segundo escalão pelo achaque sistemático ao advogado, foi produzida.

Quando questionado pelo Atual7 do porquê do silêncio, o presidente Thiago Diaz foge do assunto e repete uma mensagem pronta, de que está sempre assoberbado com outros afazeres, mas que designou as comissões de Direitos Humanos e de Política Criminal e Penitenciária para elaborar um relatório sobre Pedrinhas, até hoje nunca pronta e numa divulgado à sociedade.

Em pesquisa no site da entidade, porém, como se observa na foto ao lado, o que se sabe é que a única visita feita pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, Valdênio Caminha, o controverso vice-presidente, Rafael Silva; e a presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária, Karolina Carvalho, feita em janeiro, foi mais para turística do que de inspeção, nada resolvendo sobre as violações aos direitos humanos, como as torturas aos detentos e a superlotação em Pedrinhas, e servindo apenas para um registro fotográfico do lado de fora, talvez para não mostrar como Pedrinhas ainda é um inferno por dentro.

Governo Dilma e Flávio Dino não cumprem medidas internacionais para Pedrinhas
Maranhão

Dois anos após recomendações da OEA, organizações denunciam continuidade de violações que originaram crise de violência no complexo penintenciário

Do Conectas

Mais de dois anos após uma crise de violência no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), o governo Federal e maranhense falharam no cumprimento das medidas aplicadas pela Comissão e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estado Americanos) contra o Brasil em 2013 e 2014.

Em relatório divulgado hoje, 1º de março, diversas organizações da sociedade civil denunciam que, apesar da redução do número de mortes no Complexo, são contínuas as violações de direitos humanos em Pedrinhas, com presos submetidos a tortura, comida estragada, celas hiperlotadas e higiene precária.

O documento “Violação continuada :: Dois anos da crise em Pedrinhas” reúne informações e testemunhos recolhidos durante inspeções realizadas pela Conectas, Justiça Global, SMDH (Sociedade Maranhense de Direitos Humanos) e Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Maranhão) entre 2014 e 2015.

“O contexto de violência a que os presos estão submetidos em todas as unidades visitadas subverte qualquer sentido de tratamento humanitário. Recolhemos diversos relatos de tortura e maus-tratos, além de muitas reclamações de violência psicológica e isolamento em celas superlotadas, sem direito a banhos de sol ou visitas", destaca Jessica Carvalho Morris, diretora-executiva da Conectas.

De acordo com Sandra Carvalho, coordenadora da Justiça Global, os métodos de tortura utilizados hoje para punir e castigar detentos não deixam marcas como as técnicas antigas. "Os ossos quebrados e marcas de espancamento foram substituídos pelo uso do spray de pimenta e pelas bombas de gás lacrimogêneo, frequentemente disparadas para dentro das celas”, ressalta.

As entidades apontam ainda o difícil acesso dos presos à Justiça, o que se reflete no alto número de prisões provisórias. Hoje, 60% dos detentos de Pedrinhas ainda não foram condenados. A média brasileira, já considerada alarmante, é de 41%.

“A maioria dos presos com os quais tivemos contato nestes dois anos de inspeções afirmou nunca ter visto um juiz, promotor ou defensor público”, explica Wagner Cabral, presidente do Conselho Diretor da SMDH. "O governo precisa fortalecer a Defensoria Pública Estadual imediatamente para reduzir o enorme contingente de presos que já cumpriram pena ou que poderiam responder em liberdade."

No relatório, as entidades apontam cinco recomendações ao Estado brasileiro para solucionar as violações de direitos humanos no Complexo:

- Adequação das instalações;
- Apuração de fugas, rebeliões, corrupção e mortes;
- Aumento do efetivo de agentes penitenciários e substituição de terceirizados;
- Cumprimento das normas de regulação do uso da força e de armas por agentes de segurança;
- Fortalecimento da Defensoria Pública no Maranhão e instalação do Comitê e do Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura.

ONU

A gravidade da situação em Pedrinhas continua sendo motivo de preocupação internacional. Em recente relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a situação dos presídios brasileiros, o relator especial para a tortura, Juan Méndez, afirma que “as condições em Pedrinhas permanecem explosivas”. "A segurança é precariamente imposta, mantendo os detentos em celas coletivas por 22 ou 23 horas por dia”, continua.

Histórico

Entre janeiro 2013 e fevereiro de 2014, a eclosão de uma série de rebeliões nas unidades do Complexo resultou na morte de mais de 60 detentos. As cenas de cabeças decepadas e corpos perfurados ganharam as manchetes dos principais noticiários nacionais e internacionais.

Os fatos levaram entidades de direitos humanos a denunciarem o país perante a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA), o mais importante órgão de monitoramento e promoção dos direitos humanos na região, que acolheu a denúncia e deflagrou medida cautelar determinando que o Brasil agisse para evitar novas mortes, reduzir a superlotação e investigar as circunstâncias que provocaram a crise.

Como resposta, o Estado brasileiro, por meio do governo estadual do Maranhão e do Ministério da Justiça, instituiu, em janeiro de 2014, um Plano de Ação de Pacificação das Prisões de São Luís, que incluiu entre suas medidas a ocupação das unidades do complexo pela Força Nacional, a transferência de presos para presídios federais e a separação de membros de facções criminosas em unidades específicas.

Diante da falta de evidências de melhora nas condições de encarceramento no complexo, no entanto, as entidades de direitos humanos solicitaram à CIDH que o caso fosse remetido à Corte Interamericana de Direitos Humanos em novembro de 2014. O tribunal, por sua vez, acolheu a demanda e expediu medida provisória obrigando o Brasil a adotar imediatamente todas as ações necessárias para proteger a vida e a integridade de todas as pessoas privadas de liberdade no complexo.

Faça o download do relatório em PDF: http://bit.ly/1Qo2KCg

PCM se divide e ameaça iniciar matança em Pedrinhas por controle do CDP
Maranhão

Dissidentes da facção criminosa criaram o CCO, Comando da Cidade Olímpica, que disputa ainda o controle pelo tráfico de drogas na maior ocupação urbana da América Latina

Inspirada e, posteriormente, ramificada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, a facção criminosa Primeiro Comando do Maranhão (PCM), que controla todo o Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, maior presídio maranhense e um dos mais violentos do país, ameaça iniciar rebelião e matança na unidade, caso o diretor do CDP, Rubens Ferreira Alves, não aceite pedido feito pelos criminosos no final do ano passado.

De acordo com relato de monitores ao Atual7, o pedido consiste na transferência imediata de presos dissentes do PCM, que formaram uma nova facção criminosa dentro de Pedrinhas, criada oficialmente no dia 31 de dezembro de 2015, o CCO, Comando da Cidade Olímpica, que disputa agora com os ex-comparsas o controle pelo tráfico de drogas em bairro carente homônimo em São Luís, a Cidade Olímpica, considerada a maior ocupação urbana da América Latina.

Como os membros da CCO estão recolhidos no Pavilhão Gama do CDP desde o dia do desmembramento, embora ocupem e controlem os outros três pavilhões: Delta, Alfa e Beta, os membros do PCM não aceitam a presença dos dissidentes na mesma unidade, que se tornaram agora facção rival, e por isso prometem "quebrar a cadeia" – termo utilizado pelos presidiários e policiais para se referir a ocorrência de rebelião e mortes dentro das unidades prisionais.

O alerta foi feito por um dos líderes do PCM ao próprio "Rubão", como é chamado o diretor da unidade prisional pelos detentos, e ainda ao chefe de disciplina, Valter Serra. Ambos, inclusive, já teriam presenciado ameaças mútuas feitas por membros das duas facções durante o banho de sol.

Por conta desse acirramento entre o PCM e o CCO, inclusive, desde o início de 2016, homens do Grupo de Escolta e Operações Penitenciárias (GEOP) são deslocados diariamente para o Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas para fazer a guarda da unidade durante a noite e a madrugada, e, algumas vezes, no decorrer da semana, durante a manhã e tarde.

CCO

Segundo o advogado Antônio Luis Pedrosa, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a nova facção criminosa do Maranhão teria nascido após a exclusão de uma liderança do PCM, que seria "muito centralizado" e que "julga seus associados" num "tribunal do crime". Desligada da facção, essa liderança teria sido acompanhada por seus seguidores.

"É uma dissidência do PCM. O PCM é muito centralizado, ele julga seus associados. Uma liderança foi excluída e seus seguidores foram juntos. Eles [o PCM] têm o tribunal do crime, que julga os indisciplinados", revelou Pedrosa.

"Segurança particular"

Foram parte desses seguidores dessa liderança excluída do PCM, inclusive, que teriam arrombado e roubado objetos da creche-escola anexo da Unidade de Educação Básica (UEB) Barjonas Lobão, localizada no bairro Jardim América, no domingo 22.

Como além do PCM – e agora do CCO – o controle pelo tráfico de drogas na localidade é disputado ainda por uma outra facção, a Bonde dos 40, membros dessa facção rival chegaram a realizar uma visita à direção da unidade, na segunda-feira 23, para acertar um valor mensal em troca de "segurança particular". Responsável pelo rede municipal pública de ensino, o secretário Geraldo Castro Sobrinho declarou à direção da creche-escola que nada poderia fazer, e mandou fechar a unidade, deixando quase 400 crianças sem aula.

Embora Geraldo Castro tenha ficado calado ao ser questionado pela reportagem sobre o ocorrido, o arrombamento pelos dissidentes do PCM e a oferta de "vigilância 24 horas" por membros do Bonde dos 40 foi confirmado ao Atual7 pelo Tenente-Coronel Aritanã Lisboa do Rosário, comandante do 6º BPM, e responsável pelo Comando de Policiamento de Área Metropolitano II (CPAM 2), que cobre a área da Cidade Olímpica, Jardim América e bairros adjacentes. Ele afirmou que uma equipe de inteligência está "acompanhando e fazendo o levantamento do caso para encontrar uma solução mais rápida possível".

Rendição do governo Flávio Dino a criminosos de Pedrinhas repercute nacionalmente
Política

Governador do Maranhão havia prometido em janeiro do ano passado que o estado deixaria de ser envergonhado pela imprensa nacional

O governador Flávio Dino (PCdoB) dificilmente cumprirá uma de suas primeiras promessas feitas quando já empossado no cargo, no dia 1º de janeiro do ano passado, de que o Maranhão deixaria de ser palco de vergonha para a imprensa nacional.

Ontem 12, após denúncia do presidente do Conselho Diretor da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Wagner Cabral, de que "para manter a paz (nos presídios maranhenses) o governo se rendeu à lógica dos criminosos", dada após um posicionamento do também membro da SMDH, o advogado Luís Antônio Pedrosa, diversos veículos de comunicação repercutiram a revelação, originalmente publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Sob o título de "Governo do Maranhão se rendeu a criminosos, diz organização", os sites UOL, Estado de Minas, R7, Diário de Pernambuco, Isto É, Folha Vitória, Correio da Amazônia, BOL, MSN e Isto É Dinheiro deram destaque para a denúncia, só rebatida em nota oficial pelo Governo do Maranhão no início da noite.

Antes do lançamento da nota, o próprio Flávio Dino e o secretário de Assuntos Políticos e Federativos, Márcio Jerry Barroso, tentaram abafar as denúncias de controle das facções sobre o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, porém por meio de achaque, pelo Twitter, aos membros da SMDH e ao ex-secretário de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão, delegado Sebastião Uchôa.

Usuários que seguem a dupla comunista no microblogging não aprovaram a estratégia e repudiaram a falta de decoro de ambos.

Presos quebram pavilhão Gama do CDP de Pedrinhas
Maranhão

Os detentos reivindicam o encontro íntimo dentro das celas

Aproximadamente 170 presos do Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, quebraram, na manhã desta segunda-feira 26, o pavilhão Gama da unidade, que conta com o total de 13 celas.

De acordo com fontes do Atual7, os presos reivindicam o retorno do encontro íntimo dentro das celas.

Neste exato momento, o local se encontra tomado por bombas de efeito moral e por homens da Grupo de Escolta e Operações Penitenciárias (Geop), que que pertence à Secretaria da Justiça e da Administração Penitenciária (Sejap) do Maranhão.

A energia elétrica e a água foram cortadas.

Maranhão

Marcos André Silva Vieira, o Marquinhos da Matança, é apontado ainda como um dos líderes dos ataques aos coletivos em São Luís no início de 2014

Fora de circulação desde abril de 2013, após operação conjunta das polícias Civil, Militar e Grupo Tático Aéreo (GTA), o presidiário Marcos André Silva Vieira, o Marquinhos da Matança ou Marquinhos Borboleta, voltou às ruas após conseguir fugir pelo portão da frente da Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas na última sexta-feira 9, após driblar a segurança do presídio ao se passar por um beneficiário de indulto do Dia das Crianças.

Marcos André Silva Vieira, o Marquinhos da Matança, que voltou de um presídio federal para o Maranhão e escapou de Pedrinhas pelo portão da frente da CCPJ
Sigo/SSPMA Solto das ruas Marcos André Silva Vieira, o Marquinhos da Matança, que voltou de um presídio federal para o Maranhão e escapou de Pedrinhas pelo portão da frente da CCPJ

Transferido pelo governo Roseana Sarney para um presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em fevereiro do ano passado, e retornado para o Maranhão no início do governo Flávio Dino, ele responde pela morte de mais de 30 pessoas na região metropolitana nos últimos doze anos, e é ainda apontado pela Secretária de Segurança Pública como um dos líderes da facção criminosa Bonde dos 40 na região da Matança, no bairro do Anil.

Fontes ouvidas pelo Atual7 relataram que a fuga de Marquinhos da Matança só teria sido percebida quase 12 horas depois, quando todos os 337 presos beneficiados pela decisão da juíza Ana Maria Almeida Vieira, titular da Vara de Execuções Penais de São Luís, já haviam deixado Pedrinhas para passarem o Dia das Crianças em casa.

Além dos assassinatos pelo controle do tráfico de drogas na capital, pesa ainda contra Marquinhos a suspeita de ser um dos líderes dos ataques a cinco coletivos em São Luís, ocorridos no início de janeiro de 2014, que resultaram na morte da menina Ana Clara dos Santos, de 6 anos, vítima de queimaduras de terceiro grau em 95% do corpo, e em quatro pessoas feridas - entre elas a irmã menor e a mãe de Ana Clara, e do carregador de mercadorias Márcio Ronny, que sofreu queimaduras em 71% do corpo.

A polícia trabalha agora com a informação de que Marquinhos da Matança e outro bandido, Ronilson Coutinho, conhecido com Pixuca, é quem estavam no carro estacionado em frente á CCPJ, aguardando os dois presos que conseguiram fugir da unidade no início da tarde de ontem (12), também pelo portão da frente. O fugitivo Hailton Silva, vulgo Nicolau, que escapou da CCPJ em companhia do comparsa Fagner Gomes Sena, vulgo Bandeco, também é apontado como um dos cabeças dos ataques aos ônibus em São Luís.

Ronilson Coutinho, o Pixuca, inclusive, também é um dos que ordenou os ataques aos coletivos, mas como estava cumprindo pena em Pedrinhas aparentemente como um preso ressocializado, foi liberado pela titular da Vara de Execuções Penais de São Luís para passar o Dia das Crianças fora das celas.

Maranhão

Hailton Silva fugiu em companhia do detento Fagner Gomes Sena, também integrante da facção criminosa

Hailton Silva, o Nicolau, e Fagner Gomes Sena, o Bandeco, que fugiram da CCPJ de Pedrinhas pelo portão da frente, armados, com carro já os aguardando do lado de fora para a fuga
Atual7 Na maior Hailton Silva, o Nicolau, e Fagner Gomes Sena, o Bandeco, que fugiram da CCPJ de Pedrinhas pelo portão da frente, armados, com carro já os aguardando do lado de fora para a fuga

Fugiu, no início da tarde desta segunda-feira 12, da Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o presidiário Hailton Silva, vulgo Nicolau, um dos maiores traficantes de São Luís e líder da facção criminosa Bonde dos 40 na área da Liberdade, bairro da capital. Ele fugiu em companhia de seu parceiro de cela e também integrante da facção, Fagner Gomes Sena, vulgo Bandeco. Ambos fugiram pelo portão da frente da CCPJ.

Segundo fonte do Atual7, Nicolau e Bandeco estavam armados de pistolas e ainda tomaram a arma de um vigilante terceirizado. Dois homens já os aguardavam em um carro estacionado em frente ao presídio.

Curiosamente, a dupla havia sido transferida há alguns dias do Presídio São Luís III, o PSL3, de maior segurança, para a CCPJ. Há suspeitas que os presos seriam os mesmos alvos do resgate frustado pela polícia na madrugada de domingo 11, quando três homens foram interceptados e mortos em confronto com a Polícia Militar em uma residência no povoado Camboa dos Frades, na Vila Maranhão, próximo à BR-135, onde fica o Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Com o vazamento da fuga de dois presos pelo portão da frente, a Secretaria da Justiça e da Administração Penitenciária (Sejap) deve emitir nota informando da prisão dos três auxiliares de segurança penitenciária por facilitação da fuga. Contudo, além dos auxiliares terem participado de uma seleção recente feita pela própria Sejap, a origem da entrada das armas ainda é desconhecida. Fatos que serão omitidos na nota.

Pedrinhas: Descoberto túnel no CDP com lâmpadas e até ventiladores
Maranhão

Este é o segundo túnel encontrado em menos de três dias. Ataque a escola na Santa Clara teria sido em represália a descoberta da primeira escavação

Durante inspeção realizada na manhã desta terça-feira 22, agentes penitenciários encontraram um túnel com lâmpadas e até ventiladores no Pavilhão Gama do Centro de Detenção Provisória (CDP), o famoso 'Cadeião', um dos presídios do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

A eletricidade estava sendo puxada por meio de ligações feitas por extensões. Tanto as lâmpadas como os ventiladores estavam ligados no momento da descoberta.

O caso foi abafado pelo secretário de Administração Penitenciária e Justiça, Murilo Andrade, que proibiu que a polícia técnica fizesse fotos do local.

Ataque a escola

Este é o segundo túnel descoberto no CDP em menos de três dias.

No fim de semana, no Pavilhão Beta, agentes penitenciários já haviam encontrado outra escavação feita pelos detentos. De acordo com fontes do Atual7, devido a profundidade, somente hoje é que uma equipe conseguiu tapar o buraco.

A descoberta deste primeiro túnel, inclusive, estaria relacionada a ação de uma facção criminosa no bairro da Santa Clara, que em represália incendiou uma escola no bairro pertencente ao município.

Rádio Ht

Além de túneis, a falha no Sistema Penitenciário do Maranhão durante o governo Flávio Dino já ocasionou outras cenas grotescas.

Foi no Pavilhão Beta do CDP que, há pouco mais de dois meses, foi encontrado de posse dos presidiários um rádio comunicador Ht pertencente à Civiliza Gestão Prisional - antiga VTI Serviços, Comércio e Soluções em Tecnologia da Informação -, empresa de segurança de Fortaleza com filial em São Luís, que faz o trabalho que deveria estar sendo realizado por vigilantes penitenciários concursados.

Bonde dos 40 grava rap direto do Complexo Penitenciário de Pedrinhas
Maranhão

Vídeo foi gravado recentemente. Presidiário chega a citar bairros da Grande São Luís que seriam dominados pela facção criminosa

Um vídeo, obtido com exclusividade pelo Atual7, feito por membros da facção criminosa Bonde dos 40, que disputa o controle do tráfico de drogas fora e dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas com a facção rival Primeiro Comando do Maranhão (PCM), mostra que o governador Flávio Dino (PCdoB) e seu secretário de Justiça e Administração Penitenciária, Murilo Andrade, estão longe de tomarem o controle do maior presídio do Maranhão, onde, por motivos ainda obscuros, detentos continuam tendo fácil acesso a aparelhos de celular dentro das celas.

Gravado direto do Presídio de Pedrinhas (PP), um dos mais perigosos do complexo, o vídeo mostra cerca de 10 integrantes do Bonde dos 40 mandando um "salve" e um "papo reto" em forma de rap, com direitos a caixinha de som com play back de percussão e barulhos de tiros.

"Fecha! Fecha! Fecha! Bonde dos 40, é nós! Galo Cego MC, diretamente da PP [Presídio de Pedrinhas], mandando um salve pra todo a comunidade", canta o preso no início do rap, emendando em outro trecho: "Tamo na PP, representando os 40, e se tentar com nós os PCM não aguenta".

Bairros da Grande São Luís, como Maiobão, Aldeia, Cohatrac, Bairro de Fátima São Raimundo e São José são citados na música como localidades dominadas pelos criminosos. Pelas imagens, como todos os detentos aparecem fardados, percebe-se que o vídeo foi gravado este ano, recentemente.

Assista o vídeo abaixo:

Bonde dos 40 grava rap direto do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Vídeo foi gravado recentemente. Presidiário chega a citar bairros da Grande São Luís que seriam dominados pela facção criminosa. Mais em: http://www.atual7.com/?p=13846

Posted by Atual7 on Terça, 8 de setembro de 2015

Bastidores revelam um inferno chamado Complexo Penitenciário de Pedrinhas
Maranhão

Depoimento é de fonte graduada do Atual7 no Sistema Penitenciário do Maranhão

Em depoimento não assinado por receio de represálias do sistema comunista implantado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e seu secretário Murilo Andrade, fonte graduada do Atual7 no Sistema Penitenciário do Maranhão revela bastidores do que ocorre no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Completamente diferente do "milagre" defendido por Dino em recente reunião no Palácio dos Leões com Andrade e a agente penitenciária e ouvidora do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, Valdirene Daufemback, a realidade é que Pedrinhas é um vulcão ativo que a qualquer hora entrará em erupção.

Confira abaixo o depoimento de quem vivencia diariamente o caos e o descaso no maior presídio do Maranhão.

 A verdade sobre Pedrinhas

A ausência de mortes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas deve-se única e exclusivamente porque os presos foram separados por facções e trancados em suas celas. E isso se deu ainda no ano de 2014. O enfrentamento às facções no que diz respeito a extirpar as ideologias do crime organizado seria outra fase, mas a separação se deu ainda no ano passado, portanto no governo anterior, e tem levado a zero o número de assassinatos, bem como o fato de estarem, desde a mesma época, trancados por celas, inibe o cometimento de homicídios, pois há como identificar e responsabilizar autores.

Pois bem.

A ausência de assassinatos em Pedrinhas não significa dizer que por lá esteja tudo sob controle. Longe disso, a realidade é que Pedrinhas vive um clima de tensão em que o respeito à dignidade da pessoa humana no cárcere e enquanto funcionários à serviço do estado é totalmente inexistente. E para constatar o que estamos afirmando, façamos o seguinte roteiro pelo complexo de Pedrinhas:

- Passaremos primeiro por trás da enfermaria do núcleo de saúde da Pedrinhas. Veremos a imundície de uma galeria de esgotos entupidos com muito lixo, fezes e centenas de ratos enormes;

- Ainda no Núcleo de saúde, verificaremos que não há médico. Um médico sequer de plantão onde temos uma média de 3.500 pessoas entre presos e funcionários da Sejap, diariamente. E há ainda uma rejeição dos presos por parte do pessoal que deveria cuidar da saúde dos mesmos. As enfermeiras e técnicas não toleram que um interno permaneça por mais de dois dias em observação ou sendo tratado naquele núcleo;

- Na PP (unidade do semiaberto) procurem visitar os pavilhões e verifiquem que a maioria dos vasos (turcos ainda) estão entupidos. E procurem saber o que é a cela apelidada de 40 graus. É uma cela utilizada pra castigo (isolamento), que mesmo contrariando recomendação do MP, ainda é utilizada. O calor e o péssimo estado do ambiente é desumano. É absurdo;

- Agora iremos atravessar a BR e entraremos no CDP de Pedrinhas. Entraremos nas galerias externas dos pavilhões (alfa/beta/gama e delta). Veremos a imundície que são essas galerias que os presos chamam de quintais. A sujeira é tamanha que é impossível o Geop (Grupo de Operações Penitenciárias Especiais) realizar seu trabalho em alguma intervenção. E como as fossas dos pavilhões vivem entupidas os presos fazem suas necessidades em sacolas plásticas e jogam nas galerias. As centenas de ratos gigantes disputam espaços com os gatos doentes. É lá que os presos estendem o que lhes restam dos farrapos dos uniformes. O preso fica desnudo enquanto sua bermuda, já velha e sem cor, seca em um varal improvisado dessa imunda galeria; Verificaremos com os internos do CDP se estão sendo atendidos por dentista ou qual a última vez que viram um médico. E perguntemos também se há no CDP, algum preso com tuberculose ou portador de HIV. E se encontrarem menos de dez internos com tuberculose, desconsiderem este relatório. Nem o leiam mais e parem por aqui. Mas em se confirmando os dez ou mais, sigamos adiante;

- Alguém já imaginou como que deveriam ser os famigerados e desumanos navios negreiros da vergonhosa escravidão? Pois bem! É só visitar a Triagem (COCT) de Pedrinhas, ao lado do CDP. No CDP, as celas foram projetadas para oito presos e encontraremos 13 e 14 por cela, no mínimo. São 13 celas por pavilhão. É só calcular qual seria o limite e perguntar à SEJAP quantos presos há. E na triagem? Sim, na Triagem são doze celas no que a Sejap chama de Triagem "nova" e dois "gaiolões" na tal Triagem "velha". Encontraremos 20 (VINTE) presos por cela. Absurdo isso, mas as celas medem 16 metros quadrados cada, para comportarem tanta gente assim. As celas têm oito camas de cimento e não há, obviamente, colchões para todos os internos e nem uniformes. Muitos presos passam até 40 dias nessa Triagem onde não recebem visitas das suas famílias e ondem sequer há papel higiênico e material para cuidados mínimos com a higiene pessoal. Os kits de higiene só chegam uma vez por mês e quando chegam é em número insuficiente onde os diretores fazem milagres dividindo os mesmos para dois ou três internos;

- Agora vamos para a CADET , onde há o maior número de presos. São em torno de 800 presos. As celas são muito pequenas e onde deveriam comportar quatro presos, estão nove a onze. Umas estão com doze ou treze internos. Uns dormem em redes, outros dividem o mesmo colchão. Cada pavilhão da CADET tem dez pequenas celas e são dez pavilhões. Algumas celas não são utilizadas pois servem de depósito de objetos. As outras são verdadeiros DEPÓSITOS HUMANOS. As pessoas, o mundo, as Autoridades de Brasília deveriam ver as celas do pavilhão I da CADET. As duas celas que ficam para o lado externo do pavilhão. Escuridão, ratos enormes, lixo, lotação e mal cheiro são características dessas celas. Sim, antes que nos esqueçamos: visitem a Cadet em horário das refeições. Verifiquem os bandecos que irão para os presos e vejam se dá pra encarar a comida. O atendimento médico é um caos. E o quarto do encontro/visitas íntimas é um absurdo de calor. Não há ser humano que se submeta a um tratamento desses sem que sinta o mínimo de revolta;

- Agora iremos ao CCPJ de Pedrinhas e encontraremos os mesmos padrões de celas e pavilhões da Cadet, só que em vez de dez pavilhões, encontraremos quatro. A superlotação do CCPJ ainda é pior e onde deveriam estar no máximo quatro, estarão no mínimo doze presos. É uma espécie de caverna sem circulação de ar ou entrada de luz solar e onde há todo tipo de gambiarra de instalação elétrica nas celas. Os banheiros sociais das áreas de acesso onde os internos recebem suas visitas, são vergonhosos e imundos. Os ratos circulam por entre os presos e familiares (muitas vezes crianças);

- No PSL I e II encontraremos outros depósitos humanos. As celas do PSL I foram projetadas para dois presos e comportam no mínimo quatro. As do PSL II só comportariam seis pelo projeto e hoje estão com onze presos, no mínimo. As galerias internas (corredores) e externas (quintais) do PSL II são imundas. O mesmo quadro de imundície das galerias do CDP. E outro fator revoltante para os internos é a ausência da assessoria jurídica. Não há defensores suficientes para o número de presos de Pedrinhas. E alertamos ainda, para que visitem inopinadamente o presídio feminino. Mas deixam pra visitar esta unidade por último e em um dia exclusivo. Pois lá encontraremos crianças filhas de internas e pessoas idosas. E lá, realmente, veremos o quanto o ser humano pode ser tão cruel com a própria espécie. Perguntem àquelas mães como estão sendo tratadas enquanto internas mas, sobretudo, como mulheres e mães. A população carcerária do complexo de Pedrinhas e funcionários sofrem muito com as constantes faltas de água em decorrência de danos nas bombas e caixa d'água da PP que abastece as demais Unidades. Imaginem duzentos e vinte internas e algumas crianças sem água. Seja para as presas beberem, tomarem banho ou sequer providenciarem a alimentação de seus filhos.

A última falta d'água foi semana passada e até o fornecedor de água do carro pipa se recusou à medida contingencial por causa da falta de pagamento por parte da Sejap.

Portanto, por estas e outras razões, Pedrinhas é um vulcão ativo que a qualquer hora entrará em erupção. O fato de não haver homicídio não significa dizer que está tudo bem em Pedrinhas. Que a mão de DEUS proteja aquelas mentes no ergástulo para que não se revoltem a tal ponto pois só agravarão seus problemas. Mas é preciso que as Autoridades, Imprensa e sociedade como um todo saiba que ali estão vidas que já estão pagando pelo que cometeram e não necessitam de sofrimentos e sim de RECUPERAÇÃO.

Só o Amor constrói.

Tenho dito.

Bom Jardim: Beto Rocha e Antônio Cesarino já estão presos em Pedrinhas
Política

A prefeita Lidiane Rocha é considerada foragida pela Polícia Federal. Superintendente da PF solicitou apoio da população para localizá-la

O ex-secretário de Assuntos Políticos de Bom Jardim e ex-marido da prefeita Lidiane Rocha (PP), Beto Rocha, e o ex-secretário de Agricultura, Antônio Cesarino, já estão no presos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

Após passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), a dupla foi encaminhada à carceragem da unidade Presídio de Pedrinhas (PP).

Também alvo de um mandado de prisão pela Justiça Federal, a prefeita de Bom Jardim é considerada foragida pela Polícia Federal.

Durante o período da tarde, os federais chegaram a procurar Lidiane nas proximidades do Hospital Adroaldo Alves, localizado no próximo município. O prédio foi cercado por populares, mas ela não estava lá.

Em coletiva de imprensa, o superintendente regional da PF, Alexandre Saraiva, pediu apoio da população para localizar a prefeita.

“Solicitamos a todo cidadão de bem do Maranhão que se torne um agente da Polícia Federal e nos auxilie na captura dessa pessoa [Lidiane Rocha]”, disse.

Os desvios de dinheiro público realizados pela quadrilha foram denunciados pelo Atual7, ganhando repercussão nacional no início da semana, por meio do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, após o avanço das investigações pelo Ministério Público Estadual, Federal e pela PF.

A foto de Beto Rocha e Antônio Cesarino no camburão é de De Jesus, de O Estado.

Crise: Vazamento de motim derruba diretor da Penitenciária de Pedrinhas
Política

Titular da Sejap não gostou do vazamento de informações sobre o controle dos presos na unidade, por quase uma hora

O clima é tensão e pressão no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, após a revelação feita pelo Atual7 de que o titular da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) do Maranhão, Murilo Andrade, tentou abafar três ocorrências ocorridas em três unidades diferentes, no sábado (24) e domingo (25), no maior presídio do estado.

Importado de Minas, Murilo Andrade quer administrar Pedrinhas assim, na calada
Blog do Roberto Lobato Operação abafaImportado de Minas, Murilo Andrade quer administrar Pedrinhas assim, na calada

Na terça-feira (28), o secretário reuniu todos os diretores das unidades prisionais e, em total prática de crime assédio moral, soltou os cachorros pra cima dos subordinados, a fim de saber quem vazou a ficha cadastral de um detento da Casa de Detenção (Cadet), identificado pelo Atual7 em acesso exclusivo a documentos internos como Raimundo Francisco Cantanhede, o Del, que fugiu de Pedrinhas pulando o muro da frente.

Murilo Andrade reclamou ainda de ter sido descoberto quanto a uma nota oficial da Sejap em que faltou com a verdade ao declarar que houve apenas um princípio de tumulto no bloco F2 da Penitenciária de Pedrinhas (PP), quando um grupo de presos lançou pedras em uma equipe de agentes do Geop (Grupo Especial de Operações Prisionais) que faz a segurança interna do local.

Por causa do vazamento de que os presos quebraram a cadeia por quase uma hora, quebraram ainda as lâmpadas e câmeras de segurança do pavilhão, além dos holofotes da quadra, o titular da Sejap exonerou, na reunião mesmo, na frente de todos, o agora ex- diretor da PP, Raimundo Gomes. Em seu lugar, assumiu outro agente penitenciário, Washington Cabral.

De acordo com fontes do Atual7, Gomes agora é o "prefeito" do complexo, responsável pela faxina e pequenas manutenções em todo os presídios de Pedrinhas, realizadas por uma equipe de dez presos.

Rádio comunicador da Civiliza

Já nessa quarta-feira (29), após o Atual7 revelar que agentes penitenciários encontram um rádio comunicador Ht, pertencente à Civiliza Gestão Prisional, em posse de presos que estavam cavando um túnel, Murilo Andrade mandou que fosse disparada nota para a Secom - responsável pelo contato direto com a imprensa -, dando conta que o rádio comunicador não teria sido encontrado em posse dos nove internos alojados na cela na cela 8, do bloco Beta, mas "caído no chão do corredor".

A nova tentativa de abafamento do caos e da corrupção em Pedrinhas, agora com a nova revelação, deve ser abortada.

Pedrinhas: Rádio comunicador da Civiliza é encontrado com presos no CDP
Maranhão

Caso está sendo abafado pela Sejap, que ainda proibiu que fosse feito o registro fotográfico do túnel encontrado no último domingo (26)

Além de não cumprir com a promessa de acabar com as terceirizações no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o governador Flávio Dino, do PCdoB, parece estar distante também de outra praga ainda maior: dar um fim a corrupção instalada no presídio maranhense.

No último domingo (26), agentes penitenciários descobriam muito mais que um túnel no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pedrinhas, o famoso 'Cadeião'.

Fontes do Atual7 informaram que os nove internos alojados na cela 8, do bloco Beta, estavam de posse de um rádio comunicador Ht pertencente à Civiliza Gestão Prisional -antiga VTI Serviços, Comércio e Soluções em Tecnologia da Informação -, empresa de segurança de Fortaleza com filial em São Luís, que faz o trabalho que deveria estar sendo realizado por vigilantes penitenciários concursados.

O caso está sendo abafado pelo titular da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) do Maranhão, Murilo Andrade, que ainda proibiu que fosse feito o registro fotográfico do túnel, ação de rotina a fim de lançamento da tentativa de fuga dos presos em relatório.

Ainda segundo as fontes, devido a profundidade do túnel, a Sejap teve de acionar a empresa Kontex Construções, já que as sacas de cimento que haviam na unidade não foram suficientes para tapar o buraco feito pelos detentos.

Pedrinhas: Motim na PP, fuga na Cadet e túnel no CDP marcam o fim de semana
Maranhão

Sejap divulgou nota apenas sobre ocorrência do motim, ocorrido no sábado (25). Detento conseguiu fugir pulando o muro da frente

Ficha de identificação do detento que conseguiu fugir de Pedrinhas pulando o muro da frente
Atual7 Pelas ruas Ficha de identificação do detento que conseguiu fugir de Pedrinhas pulando o muro da frente

Apesar do governo estadual ter escondido da população a maioria das ocorrências, o clima no Complexo Penitenciário de Pedrinhas durante o fim de semana não foi um dos melhores, e voltou a expor a fragilidade do Sistema Prisional do Maranhão.

No sábado (25), na unidade Penitenciária de Pedrinhas (PP), um grupo de detentos lançou pedras em uma equipe de agentes do Geop (Grupo Especial de Operações Prisionais) que faz a segurança interna do local. No comando da cadeia por quase uma hora, os detentos ainda quebraram as lâmpadas e câmeras de segurança do pavilhão, além dos holofotes da quadra.

O tumulto aconteceu no bloco F2 e, diferente do que divulgou em nota a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), controlada pelo forasteiro Murilo Andrade, o tumulto demorou a ser controlado.

Ainda no sábado, enquanto a Geop era apedrejada pelos presos da PP, um detento da Casa de Detenção (Cadet), identificado pelo Atual7 em acesso exclusivo a documentos internos como Raimundo Francisco Cantanhede, o Del, fugiu de Pedrinhas escalando e pulando o muro frontal.

Até a publicação desta matéria, a Inteligência da Sejap, comandada pelo delegado Roberto Larrat, ainda não tinha informações como Del conseguiu fugir sem ser notado e nem do seu paradeiro.

Já no domingo (26), agentes penitenciários descobriam um túnel no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pedrinhas, o famoso 'Cadeião'.

Para quem não se recorda, a unidade é a mesma onde, há cerca de uma semana, houve uma tentativa de homicídio de um preso, que chegou a ser espancado por pelo menos 10 outros detentos, e de onde foram resgatados, no início de maio deste ano, quatro presos do Primeiro Comando do Maranhão (PCM), em ação cinematográfica que contou com uma escada e uma corda levada pelo bando que, armado de fuzis AK 47 e 556, crivou de bala as guaritas de segurança do maior presídio maranhense.

Canibalismo no Complexo de Pedrinhas é investigado pela Polícia Civil desde 2013
Política

Roberto Larrat e Augusto Barros foram comunicados pelo ex-titular da Sejap sobre suposta ação praticada por membros da facção Anjos da Morte

O governador Flávio Dino (PCdoB) deu uma nova mancada nas redes sociais, no último sábado (18), na ânsia de querer surfar e se aparecer na onda da reportagem sensacionalista da Revista Época sobre denúncias de suspostos casos de canibalismo no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, que teriam se iniciado no dia 1º de abril de 2013 e se repetido em 8 de agosto de 2014, por membros da facção criminosa Anjos da Morte, a ADM.

Ronalton Silva Rabelo, 32, desapareceu no dia 1º de abril de 2013
Divulgação Suposta vítima de canibalismo Ronalton Silva Rabelo, 32, desapareceu no dia 1º de abril de 2013

Segundo declarou Dino no microblogging, "a denúncia da revista Época de que, no governo passado, em 2013 e 2014, houve canibalismo em Pedrinhas, será investigada pela Polícia Civil".

Ocorre que as duas denúncias feitas à CPI do Sistema Carcerário pelo servidor César Castro Lopes, o César Bombeiro, e outro agente penitenciário - sabidos desafetos do então titular da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), delegado Sebastião Uchôa - já estão sob investigação da Superintendência de Investigações Criminais (Seic), há mais de dois anos a primeira e mais de um ano a segunda denúncia, sendo de conhecimento, inclusive, do delegado-geral Augusto Barros, então titular da Seic; e do comandante da Inteligência da Sejap, delegado Roberto Larrat, então responsável pelas investigações dos sumiços dos detentos Ronalton Rabelo, de 33 anos, e Rafael Libório, de 23 anos.

Portaria de Investigação Preliminar mostra que denúncia de ocultação e suposto canibalismo não foi abafada
Atual7 Época, Mendonça e Dino mentiram Portaria de Investigação Preliminar mostra que denúncia de ocultação e suposto canibalismo não foi abafada

Longe de ser uma revelação das atrocidades cometidas até os dias atuais em Pedrinhas, como passou Época em sua reportagem de sexta-feira (17), as denúncias de canibalismo já haviam ganhado repercussão nacional desde os primeiros dias de 2014, ano eleitoral, emplacadas em reportagens do Uol, Folha, Estadão e até do Instituto Paulista de Estudos Bióticos e Jurídicos (IPEBJ), inclusive com amplo destaque para as respostas das pelo ex-titular da Sejap, que - diferente do que informa Época e o próprio governador do Maranhão - nunca abafou os supostos casos, e ainda contribuiu com as investigações da Polícia Civil.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Atual7 também mostram que Época mentiu.

Com data do dia 5 de abril de 2013, uma Portaria de Investigação Preliminar, assinada pelo delegado Larrat, mostra que a Polícia Civil já havia sido informada do desaparecimento do detendo Ronalton Rabelo, inclusive da denúncia da execução, esquartejamento e ocultação do corpo no lixo.

Em outro documento, o Ofício n.º 233/2013, assinado por Uchôa e endereçado a então delegada-geral da Polícia Civil, Maria Cristina Resende, o ex-titular da Sejap informa sobre a remessa de uma serie de documentos à equipe de delegados responsável pela investigação do caso. Demostrando que não pretendia abafar o suposto canibalismo, o ex-titular da Sejap cita a "necessidade de não se fazer juntada dos mesmos no bojo do Inquérito Policial em andamento, mas também de forma criteriosa investigarem os crimes de homicídios ocorridos nas dependências do Presídio São Luís 2".

Ofício encaminhado ao delegado Augusto Barros mostra que denúncia de ocultação e suposto canibalismo não foi abafada por Sebastião Uchôa
Atual7 Entrevista de César Bombeiro Ofício encaminhado ao delegado Augusto Barros mostra que denúncia de ocultação e suposto canibalismo não foi abafada por Sebastião Uchôa

Um outro ofício, endereçado ao delegado Augusto Barros, derruba ainda mais a falsa informação de que não houve abertura de inquérito sobre o caso de canibalismo.

Recebido na Seic no dia 26 de maio de 2013, o documento descreve sobre um conteúdo em mídia removível contendo uma entrevista dos dois denunciantes - que já não pertencem mais aos quadros da SSP-MA, muito menos ao Serviço de inteligência da Sejap - ao programa Abrindo o Verbo, da rádio Mirante AM.

A entrega do ofício, diz trecho do documento, foi de ordem do delegado Sebastião Uchôa, "para fim de proceder junto aos autos de apura o desaparecimento do preso Ronalton Rabelo", suposta vítima de canibalismo por membros da facção Anjos da Morte.

Além do Inquérito Policial aberto para apurar o ocorrido com o detento Ronalton Rabelo, Relatório de Inteligência da Sejap, datado no dia 13 de agosto do ano passado, mostra também que a Polícia Civil do Maranhão, especificamente os delegados Roberto Larrat e Augusto Barros, tomaram conhecimento do desaparecimento, homicídio e ocultado de cadáver do outro detento desaparecido, Rafael Libório, também suposta vítima de canibalismo pelo ADM, no Presídio São Luís 1.

Pedrinhas: Entidades peticionárias perante a OEA se reúnem com Flávio Dino
Política

Caso governo não cumpra medidas cautelares, Estado brasileiro pode ser levado ao banco dos réus da Corte Interamericana de Direitos Humanos

O governador Flávio Dino, do PCdoB, deve levar uma baita puxão de orelha, a partir das 15h30min desta quinta-feira (9), em reunião no Palácio dos Leões para tratar sobre o caos instalado no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o maior presídio do estado e um dos mais violentos do país.

Diferente do que fez em reunião anterior, com a Pastoral Carcerária do Maranhão, quando achincalhou um padre e o acusou de receber mensalinho para ficar calado, Dino sentará desta vez com representantes de entidades peticionárias da denúncia do Estado brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que tem o poder de levar o Estado brasileiro, por causa de Pedrinhas, ao banco dos réus da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Na reunião, os representantes da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA, Conectas Direitos Humanos e Justiça Global irão questionar do comunista o porquê do descumprindo de todas as três medidas cautelares recomendas pela OEA.

Após seis meses de novo comando no Executivo estadual, Pedrinhas continua a ser palco de tortura, agressão, maus tratos, mortes de presidiários e crises de hiperlotação. O controle de facções em unidades específicas do presídio também será questionada, como é o caso do Centro de Detenção Provisória (CDP), entregue pela Secretaria de Administração Penitenciária a facção criminosa Primeiro Comando do Maranhão (PCM).

Um vídeo, exibido pelo Atual7 há cerca de um mês, onde um preso é operado por colegas de cela com uma pinça de retirar sobrancelhas - e o silêncio do Governo do Maranhão diante de tamanha violação aos Direitos Humanos - também está entre as principais pautas da reunião.

Governador precisa divulgar gravação de reunião e provar que houve “mensalinho”
Política

Sem provas, Flávio Dino difamou, achincalhou e caluniou padre da Pastoral Carcerária nas redes sociais, valendo-se apenas do gogó

O governador Flávio Dino, do PCdoB, tem a obrigação de divulgar a gravação completa da reunião do Comitê de Combate à Tortura, ocorrida na última sexta-feira (26), nas dependências do Palácio dos Leões, para tornar público o que realmente aconteceu por lá.

Após revelação do Atual7 de que o comunista bateu boca com o padre Roberto Perez Cordova, da Pastoral Carcerária do Maranhão - confirmada logo depois pela própria entidade e pela Arquidiocese de São Luís -, a Secretaria de Comunicação estadual emitiu nota informando que a reunião teria sido toda gravada.

No mesmo dia, por meio das redes sociais, Dino acusou o clérigo, sem qualquer prova, de ter sido beneficiado com "mensalinho" pelo governo anterior para ficar calado diante do caos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Papagaios, secretários de Estado e deputados da base aliada chegaram a dar eco as acusações do chefe de Estado, chegando inclusive a mudar o termo utilizado para "boquinha", ferindo a honra e rebaixando ainda mais o padre e a Igreja, além de abrir espaço para a população maranhense desconfiar dos trabalhos realizados pela Carcerária e outras pastorais.

Para acabar com a confusão e provar que falou a verdade, além de ter de explicar aos maranhenses porque também manteve o padre no suposto "mensalinho" por três meses de seu governo, Flávio Dino tem ainda a obrigação de provar se a acusação feita é realmente verdadeira, sob risco de suas palavras não passarem de calúnia, injúria, achincalhe e difamação contra um membro da Igreja Católica.

A simples divulgação de apenas uma parte editada da reunião ocorrida do Palácio dos Leões, além de ser insuficiente para provar quem está falando a verdade, é de extrema má-fé. Segurar-se em uma foto festiva com os participantes dessa reunião, além de super apelativo, é algo irrisório. Afinal, acontecido o bate boca na sede do governo, esperar uma foto com Dino e o padre Roberto em posição de lutadores de MMA ou UFC é algo inimaginável.

Desde o início da peleja do governador do Maranhão para justificar à população que não está escamoteando os números reais de fugas, mortes e rebeliões no Sistema Penitenciário estadual, o comunista tem se garantido apenas no próprio gogó, como se o dito por ele fosse algo incontestável, papal, sem a necessidade de provas documentais ou testemunhais. E olha que Flávio Dino é formado em direito e é ex-juiz federal.