Saques feitos pelo IDAC foram entregues no Palácio, revela Wellington
Política

Saques feitos pelo IDAC foram entregues no Palácio, revela Wellington

PF já havia informado que parte do dinheiro retirado na boca do caixa pelo instituto servia para abastecer agentes políticos

O deputado estadual Wellington do Curso (PP) revelou em discurso na Assembleia Legislativa do Maranhão, na semana passada, haver recebido a informação de que parte dos vultuosos saques feitos no esquema do Instituto de Desenvolvimento e Apoio à Cidadania (IDAC) foram entregues no Palácio dos Leões, sede do Poder Executivo estadual.

“Recebemos a informação que os saques, que eram feitos na boca do caixa, alguns deles foram entregues no Palácio do governo”, disse.

A informação, segundo o progressista, teria sido repassada após ele haver proposto a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos e supostos serviços prestados por organizações sociais sem fins lucrativos à Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Segundo força-tarefa da Sermão aos Peixes, mais de R$ 1 bilhão teria sido afanado dos cofres públicos por meio dessa terceirização, entre os anos de 2014 e 2017. A quantia, porém, pode ser ainda maior, já que essas contratações remontam a 2008, no governo Jackson Lago.

Wellington lembrou que a própria Polícia Federal afirma, em material distribuído na deflagração da Operação Rêmora, que os saques feitos pelo IDAC eram destinados, em parte, para agentes políticos, padrinhos do retorno do instituto aos cofres do governo. Eles são identificados pela PF como “tubarões”, em alusão aos peixes da família rêmora, que se alimentam de restos deixados pelos peixes maiores. Mais de R$ 18 milhões foram desviados somente pelo IDAC. Presos pela PF, os diretores do instituto foram recentemente soltos após pagamento de fiança de R$ 20 mil, cada.

“A própria PF diz que os saques eram utilizados por políticos locais. Precisamos esclarecer, pra separar o joio do tribo. A verdade vai aparecer. Quem é de verdade sabe quem é de mentira. O Brasil está sendo passado a limpo e o Maranhão também vai ser passado a limpo. Não vamos retroceder um centímetro da instalação da CPI da Saúde no Maranhão”, ressaltou.

Governo não quer CPI

A revelação e o recado do progressista abalou o Palácio dos Leões, que instruiu a base, por meio do líder do governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), a não aprovar a instalação da CPI. Já por parte da oposição, até mesmo a deputada Andréa Murad (PMDB), que teve seu pai, o ex-deputado Ricardo Murad, como titular da SES e alvo de uma das operações da PF, manifestou apoio à instalação da comissão.

A expectativa é que, com o requerimento já pronto, a partir desta segunda-feira 19, Wellington do Curso comece a recolher as assinaturas para instalação da CPI. Pelo Regimento Interno da Assembleia, é necessária a adesão de pelo menos 14 deputados para que isso ocorra.

Pizza

Em 2015, quando o Palácio dos Leões ameaçou a instalação de uma CPI na saúde para pegar Murad, 29 deputados chegaram a assinar o requerimento.

Presidida pelo deputado Levi Pontes (PCdoB), essa comissão acabou em pizza e foi arquivada, após o próprio governo contratar o IDAC por dispensa de licitação, mesmo após o instituto ser desclassificado no lote que concorria no concurso de seleção e haver entrado na Justiça para derrubar esse processo.

Somente após a deflagração da operação da PF é que o IDAC, assim como aconteceu com o célebre Instituto Cidadania e Natureza (ICN), teve o contrato rescindido.

Em resposta aos desvios, o atual secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, afirma que não sabia e nem tinha como descobrir a existência do esquema criminoso. Amigo do governador Flávio Dino e dono de escritório do advocacia que representa o comunista, ele permanece no cargo.



Comentários 1

  1. Maria

    É claro que este governo comunista estar envolvido até o pescoço em toda essa roubalheira.... Cadeia nesses comunistas vagabundos que gostam mesmo é de mamar na teta.

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