Política

ICN começou a faturar verba pública no Maranhão no governo José Reinado Tavares

Atual secretária de Saúde de São Luís foi quem assinou todos os contratos com o instituto, que ultrapassaram o valor de R$ 1 bilhão em apenas dois anos

O Instituto Cidadania e Natureza (ICN), Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) presidida pelo médico ginecologista e diretor administrativo da Policlínica do Maiobão, a Polibão, Péricles Silva Filho, e que já faturou mais de R$ 1,2 bilhão no governo da peemedebista Roseana Sarney, descobriu a senha dos cofres do Estado desde a gestão do ex-governador [hoje] oposicionista José Reinaldo Tavares (PSB).

Então líder da bancada da Oposição na Assembleia Legislativa, o deputado licenciado e cunhado de Roseana, Ricardo Murad, fez, não uma, mas diversas denúncias de corrupção contra o ICN, antes de se tornar tornar secretário de Saúde do governo da cunhada, em abril de 2009, após a cassação de Lago, que antes de soltar a caneta dos Leões, manteve a política financeira do patrono, aditando e assinando novos contratos com o instituto.

Segundo Ricardo Murad, que chegou a insinuar um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias, o ICN supostamente operava com superfaturamentos para lavar dinheiro e irrigar o propinoduto de Zé Reinaldo e Jackson Lago – além de um mesada para altos membros do escalão estadual. ‘Foram sete anos de descalabro, incompetência e roubalheira. Os convênios fechados neste período eram apenas uma capa de fumaça para desvios. Isso é uma constatação: 90% dos convênios foram desviados. O dinheiro foi usado para fazer política. Muitos municípios, como Bacabal e Porto Franco, recebiam acima do teto do SUS e esses prefeitos foram pegos com a boca na botija’, denunciou Murad em 2009, em audiência pública na Assembleia.

Levantamento do Atual7 descobriu que, somente durante dois anos do governo de Zé Reinaldo, entre meados de 2005/2006, o ICN garfou mais de R$ 1 bilhão dos cofres do Estado. Todos os contratos foram assinados, na época, pela então secretária de Saúde do Maranhão – e atual secretária de Saúde de São Luís, Maria Helena Duailibe Ferreira, prima de Ricardo Murad – inclusive para administrar e gerenciar o Complexo Ambulatorial e Hospitalar do Hospital Dr. Carlos Macieira, por R$ 143 milhões, e a Maternidade Marly Sarney.

Para que se tenha uma ideia, o derrame de dinheiro público com dispensa de licitação feito por Helena Duailibe na conta do Instituto Cidadania e Natureza foi tamanho que forçou o deputado estadual Afonso Manoel (PMDB), seu esposo, a ir à tribuna da Assembleia, por diversas vezes, negar que fosse ele o verdadeiro proprietário do ICN.

Apesar de pouco tempo com a caneta dos Leões nas mãos, o ex-governador Jackson Lago também retribuiu o trabalho do ICN na parceria iniciado por Zé Reinaldo e continuada em sua gestão: mais de R$ 8 milhões caíram na conta da Oscip.

A reportou apurou ainda que, embora os contratos estejam sendo assinados atualmente por Péricles Filho, quem representa o ICN em todo o Maranhão é o seu sócio, o também médico ginecologista, Benedito Silva Carvalho, secretário Administrativo Financeiro do instituto. Além do ICN, a dupla também faturou bilhões na gestão de Duailibe na Secretaria de Saúde do Maranhão por meio da cooperativa Centervida (Centro Integrado de Atendimento à Saúde), que recebia cerca de R$ 6 milhões de por mês para administrar e gerenciar o PAM da Cidade Operária, o Hospital da Vila Luizão, o Hospital Geral Tarquínio Lopes Filho (Hospital Geral), o Hospital Getúlio Vargas, a Colônia Nina Rodrigues, o Hospital Aquiles Lisboa, o Infantil Juvêncio Matos, o Ipem de Colinas e o Alarico Pacheco, de Timom.

Os donos da Centervida também são os médicos Péricles Silva Filho e Benedito Silva Carvalho, além do bioquímico Raimundo Sacramento Mendes e o administrador de empresas José Inácio Guará Silva.



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